Se você tá começando a investir o seu dinheiro agora, pode ser que você não saiba bem por onde começar. São tantas as opções, que é normal você ficar meio perdido. E é por isso que resolvi reunir 6 investimentos básicos para quem tá começando a investir.

Esses investimentos são o que eu chamo de “feijão com arroz”. É isso que forma a base da sua “carteira de investimentos” – nome bonito que basicamente resume tudo aquilo você investe e que te dá algum retorno financeiro.

E por que essa é a base da sua carteira? Todos esses investimentos são muito seguros – e é isso que a gente quer para boa parte do nosso patrimônio, certo?

Principalmente quando falamos de onde aplicar a nossa reserva de emergência – aquele dinheiro que você guarda para quando acontece algum imprevisto.

1. Poupança

A Poupança é o investimento que a maioria dos brasileiros faz quando quer guardar algum dinheiro para qualquer coisa. Para quem não tem nenhum dinheiro guardado ou investido, a Poupança é sim um bom lugar para começar.

Como funciona?

Na Poupança, você deixa o dinheiro no banco e após o investimento completar um “aniversário” de um mês, você recebe os juros sobre esse valor.

A Poupança não tem muitas vantagens em relação aos outros investimentos dessa lista, porque de todos os 6, ela é a que rende menos!

No entanto, existem sim algumas vantagens nesse investimento, como por exemplo o baixo valor de entrada. Você pode começar a aplicar na Poupança com o valor que você quiser ou tiver disponível.

E a outra grande vantagem da Poupança é que você tem acesso ao seu dinheiro todos os dias. Você pode sacar o dinheiro nos finais de semana, feriados, etc.

Porém, se você retirar o dinheiro antes do “aniversário” de um mês, você não ganha nada. Vai ser como se você tivesse deixado o dinheiro na conta corrente.

Além disso, a rentabilidade da poupança também é isenta de imposto de renda. Mas isso não é lá uma grande vantagem, porque mesmo descontando o imposto, a rentabilidade líquida dos outros investimentos dessa lista é (quase sempre) maior.

2. Tesouro Selic

O título do Tesouro Selic é um dos queridinhos de quem tá começando nesse universo de investimentos. A grande vantagem desse título é que ele possui liquidez diária. Na poupança, você só recebia os juros depois de completado o “aniversário”, lembra?

No Tesouro Selic, você recebe esses juros todos os dias. E isso é ótimo, porque você pode movimentar o seu dinheiro sempre que você quiser sem perder a rentabilidade dos últimos dias.

Além disso, o Tesouro Selic é um título do Tesouro Nacional. E não sei se você sabe, mas esse é o tipo de investimento mais seguro que temos no Brasil.

Como funciona?

Quando você quiser resgatar o seu dinheiro, ele fica disponível na sua conta no próximo dia útil.

E a rentabilidade desse título acompanha a taxa Selic – que é a taxa básica de juros do Brasil. Basicamente, essa taxa é a taxa mãe da economia : manda na porra toda!

Atualmente (Fevereiro de 2019) essa taxa é de 6.5% a.a., que é o menor valor histórico que essa taxa já teve.

O valor mínimo para investir no Tesouro Selic é na faixa de R$ 100 reais. E a rentabilidade do Tesouro Selic é de 100% da taxa Selic – dã.

Só a nível de comparação, a Poupança rende hoje em torno de 70% da taxa Selic. Viu como é bem menos? Mesmo depois do imposto, o Tesouro Selic ainda rende mais.

Para investir no Tesouro Selic, você precisa de um agente de custódia. Isso nada mais é do que o banco ou a instituição financeira que guarda os títulos para você.

A minha recomendação é que você procure uma corretora de valores que seja taxa zero para investimentos no Tesouro Direto. Já expliquei aqui tudo sobre como descobrir se uma corretora cobra essa taxa ou não.

3. Tesouro IPCA+

Mais um investimento do Tesouro porque, como já falei, Tesouro Direto é o tipo de investimento mais feijão com arroz que temos no Brasil.

No Tesouro IPCA, a rentabilidade do título depende da variação da inflação do período mais um valor prefixado (por isso IPCA +). Essa parcela prefixada é definida no momento da compra.

A grande vantagem de proteger o seu dinheiro da inflação é que você garante o seu poder de compra ao longo desse período.

Inflação-o-quê?

Caso você não saiba, a inflação nada mais é do que variação média dos preços.

Sabe quando você olha uma barra de chocolate no mercado e quase cai pra trás quando olha o preço?

“NOSSA, eu pagava 4 reais nesse mesmo chocolate e a embalagem era maior!!”

É isso que a inflação tenta medir : como que os preços estão variando e quanto eles estão variando, na média.

Tesouro Selic x Tesouro IPCA

As grandes diferenças entre o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA são basicamente o tipo de taxa que ele acompanha e a liquidez. Liquidez nada mais é do que um termo que diz quanto tempo o seu dinheiro tem que ficar paradinho lá, quietinho, até que você consiga usá-lo.

No Tesouro IPCA, você só tem acesso ao seu dinheiro na data de vencimento do título. Por exemplo, se você aplicar no Tesouro IPCA+ 2035, você só vai ver a cor desse dinheiro em 2035!

Por isso é importante entender o que você tá fazendo antes de tomar qualquer decisão.

Você até pode fazer um resgate antecipado em alguma emergência, mas isso já um pouco mais avançado. Pode ser que a taxa que você receba no momento da venda antecipada não seja mais a taxa que foi acordada no momento da compra.

Por isso, não recomendo que você invista nesse título se tem alguma chance de você precisar desse dinheiro antes da data de vencimento.

O investimento mínimo no Tesouro IPCA também é baixo : na faixa de R$ 30 reais você já consegue começar.

Já gravamos um vídeo bem completo explicando quais são as diferenças entre esses títulos. Vale muito a pena conferir antes de decidir o que faz mais sentido para você.

4. Tesouro Prefixado

Mais um investimento do Tesouro Direto. E coloquei ele na quarta posição não foi por acaso.
Esse tipo de investimento não segue nenhuma taxa básica da economia – não segue a taxa básica de juros como o Tesouro Selic e não segue a inflação como o Tesouro IPCA.

Então esse tipo de investimento acaba sendo um pouco mais arriscado que os outros porque ele é o que chamamos de circunstancial : depende das circunstâncias.

Tudo depende

O Tesouro Prefixado por ser uma ótima opção e também pode ser uma péssima opção. Tudo depende do cenário econômico.

Ou seja, você pode não ganhar tanto dinheiro no Tesouro Prefixado quanto você ganharia no Tesouro Selic ou no Tesouro IPCA. Mas pode ser que você ganhe MUITO mais dinheiro no Tesouro Pré do que ganharia nos outros.

E por que isso acontece?

Porque no Tesouro Prefixado a rentabilidade é fixa – por isso o nome de prefixado. Se você comprar um título que paga 8% a.a., você tem a garantia de que, se você esperar o título vencer, você vai receber exatamente 8% a.a.. Faça chuva ou faça sol.

Não interessa se a taxa de juros subiu ou não, a rentabilidade é sempre a mesma.

Você não tem como saber se o Tesouro Prefixado vai ser melhor ou pior que os outros com passar dos anos. Ninguém tem bola de cristal e não tem como adivinhar qual vai ser a taxa Selic daqui alguns anos e muito menos qual vai ser a inflação daqui alguns anos.

Esse título é mais atrativo quando a taxa de juros tá mais baixa e a inflação também. Aí você consegue garantir uma rentabilidade real muito significativa. Se a inflação cair para 1% a.a. e você comprou um título que paga 8% a.a., você tem uma rentabilidade real MUITO top.

Porém, se a inflação subir demais para valores na casa de 10% a.a. ou 15% a.a., você pode perder dinheiro porque a taxa que você contratou era de 8% a.a..

Por isso acaba sendo mais arriscado investir nesse tipo de título. Você nunca sabe como serão as taxas e se vai ter sido um bom negócio ou não.

O investimento mínimo em Tesouro Prefixado é na faixa de R$ 30.

5. CDB

O CDB ocupa uma categoria de risco diferente do Tesouro Direto. No Tesouro, a garantia é feita pelo Tesouro Nacional. Ou seja, você basicamente empresta dinheiro para o governo e recebe juros por isso.

No CDB, a ideia é a mesma. Mas agora quem pega o seu dinheiro emprestado é um banco ou uma instituição financeira.

Quer dizer que investir em bancos é ruim e arriscado? NÃO!

Existe uma associação (Fundo Garantidor de Crédito – FGC) que garante o depósito do seu investimento em CDBs.

Mas fique atento. Não são todos os bancos e instituições financeiras que possuem essa cobertura. E essa cobertura possui um valor máximo de R$ 250.000,00 por instituição financeira e por CPF, podendo ser utilizada até 4 vezes em um período de 4 anos. A partir daí, você não estará mais segurado.

E essa cobertura também não vale só para CDBs. Existem outros investimentos de renda fixa que também possuem essa garantia.

Adivinha qual é a garantia da famosa, amada e idolatrada Poupança? Sim, o FGC.

Já expliquei melhor aqui sobre essa garantia, como ela funciona e como descobrir se o banco que você quer aplicar possui essa garantia ou não.

Tipos de CDB

Os CDBs também possuem as mesmas classes de taxas do Tesouro. Ou seja, existem CDBs que seguem a taxa Selic (ou a taxa CDI, que é tipo a irmã gêmea da taxa Selic), que seguem a inflação ou que são prefixados.

Ou seja, é basicamente a mesma coisa no Tesouro porém com um risco um pouco maior.

Por outro lado, você consegue encontrar taxas um pouco melhores nos CDBs em comparação com as taxas do Tesouro Direto.

Porém, o valor de entrada dos CDBs costuma ser mais alto. Já vi CDB a partir de R$ 1 (CDB 100% do CDI com liquidez diária) e já vi CDBs com prazos maiores que possuem valores de entrada mais altos – 5, 10, 20 e 30 mil, por exemplo.

Aí vai de você decidir o que faz sentido para você e para o seu rico dinheirinho.

6. Fundos de Renda Fixa

Esse tipo de investimento é o mais arriscado de todos dessa lista justamente por não possuir nenhuma garantia: nem a garantia do Tesouro Nacional – no caso do Tesouro Direto e nem a garantia do FGC – no caso dos CDBs.

No entanto, esses fundos costumam ser muito seguros mesmo com esse risco maior. Isso porque, como o nome já diz, esses fundos investem só em produtos de renda fixa.

E como a gente sabe, a renda fixa possui um risco controlado porque não varia muito – diferente do mercado de ações, por exemplo.

Fundos de investimento e suas vantagens

Basicamente um fundo de investimento é administrado por um gestor profissional. Ou seja, existe alguém que escolhe em quais títulos investir, quanto aplicar e quando comprar e/ou vender os investimentos.

Uma das vantagens dos fundos de renda fixa é que eles oferecem uma liquidez melhor – ou seja, pode ser que você consiga ter acesso ao seu dinheiro em um prazo menor.

A liquidez depende de fundo para fundo, mas costuma estar na média de 30 dias. Ou seja, você solicita o resgate hoje e daqui 30 dias esse dinheiro retorna pra sua conta.

Não é “na hora” como na Poupança, mas também não é só daqui uns 15 anos, como no Tesouro IPCA.

A outra vantagem dos fundos de renda fixa é que você consegue investir com pouco dinheiro. Esses fundos possuem um baixo valor de entrada – a partir de R$ 500 você já consegue investir em um bom fundo de renda fixa.

Rentabilidade e taxas

A outra vantagem dos fundos é que você tem uma taxa atrativa.

Porém, como não existe almoço grátis você precisa pagar algumas taxas para o fundo administrar sua a grana. As taxas mais comuns são a taxa de administração – que paga o trabalho do time que gerencia o fundo e a taxa de performance – que funciona como um bônus quando o fundo tem um bom desempenho.

Além disso, você também paga o imposto a cada seis meses no que é chamado de come-cotas.

Nos fundos multimercado, fundos de ações ou fundos cambiais, essas taxas não são lá tão relevantes. No entanto, nos fundos de renda fixa, essas taxas acabam sendo muito importantes. Isso porque na renda fixa os investimentos já rendem “pouco” em comparação com os investimentos da renda variável.

Se você ainda precisa pagar taxa sobre o que rendeu, a sua rentabilidade acaba ficando ainda pior.

Embora exista uma infinidade de fundos de renda fixa disponíveis por aí, são poucos os que realmente oferecem uma boa relação de risco-retorno.

Ou seja, fundos que tenham uma rentabilidade boa comparada ao risco que você corre ao investir em um fundo.

Quanto aplicar em cada um?

Os investimentos dessa lista são bem básicos. Se você já tem algum deles, ótimo. Quer dizer que você não precisa fazer mais nada? Não!

Você pode ir aumentando e diversificando a sua carteira de investimento com os outros investimentos que mencionei na lista.

A ideia de ter uma carteira de investimentos top e robusta é aumentar os seus retornos e ter um risco controlado.

E isso se traduz em aplicar um pouco em cada tipo de investimento.

Um pouco em investimentos indexados à Selic e um pouco em investimentos indexados ao IPCA. Se você achar prudente, um pouco em títulos prefixados também.

Já expliquei nesse vídeo como eu monto a minha carteira de renda fixa. Acho que esse vídeo pode te ajudar a decidir quanto aplicar em cada coisa.

Basicamente, o que eu faço é dividir a minha carteira de renda fixa em dois. Invisto metade em produtos que seguem a taxa Selic e metade em produtos que seguem o IPCA. E em eventuais momentos que os prefixados estão com boas taxas, invisto uma parcela da minha carteira de renda fixa neles também.

Primeiros passos

Para quem tá começando e ainda tem dúvidas de como dar os primeiros passos, pega essa dica. Fiz um ebook gratuito com as principais dúvidas que recebemos.

Além disso mostramos uma simulação que compara a rentabilidade de uma carteira de investimentos top e a rentabilidade da Poupança. O resultado é assustador.

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Até a próxima,

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